2005-04-03

Queria ser como tu

Morreu um velhinho.
Foi de tal forma bom, carinhoso, alegre, sereno e altruista que é (quase) impossível haver quem não se comova neste momento.

Que esteja como viveu. Feliz e em paz.

2005-02-05

Ainda o debate PSL - JS

O debate não trouxe grandes novidades, parece-me evidente. Mas foi muito importante para mim.

Houve dois momentos que definiram a minha posição perante o debate.

Primeiro, quando o PSL faz referência ao pântano que o Eng. Guterres referiu quando abandonou o barco, dizendo que se tratava exactamente da mesma equipa que se prepara agora para voltar para o Governo - exceptuando o próprio Guterres.
JS não tugiu nem mugiu, preferiu desprezar como se de um boato reles e indigno se tratasse. Não respondeu, indicando que não há resposta possível e que defacto vai voltar o lodaçal.

Segundo, quando JS pretendeu ser engraçadinho e dizer que, afinal, PSL até tem umas ideias, mas que não mostrou nada quando lá esteve e pôde fazer alguma coisa.
Reposta de PSL, indicando as medidas que tomou em apenas 4 meses. Novo silêncio de JS, indicando incapacidade de réplica.


Outra coisa muito importante é que de PSL se ouvem propostas concretas, conhecimento dos factos, ideias para agir. De JS apenas se ouvem planos vagos, criações de gabinetes de estudo e coisas que tais.


Por mim, estou decidido.
Prefiro de longe um Primeiro Ministro trapalhão, que dá tiros mediáticos nos mesmos pés com os quais trata os assuntos, do que um Primeiro Ministro que nada faz, excepto criar grupos de trabalho para pensar no assunto.

Se este debate serviu para alguma coisa, foi ao menos para eu clarificar as minhas ideias.

2005-01-27

Futebol em estado puro

Ora bem: porque é que nós, os maluquinhos da bola, gostamos deste jogo?

Porque tem tudo:
- Há aquela questão tribal, de pegar no nosso grupo para ir dar uma lição àquele grupelho de idiotas que têm a mania que são os maiores.
- Há o jogo estratégico, uma vez que a equipa tem que funcionar como um todo, sob pena de ser desbaratada por uns gajos mais fraquitos mas com melhor organização.
- Há os momentos sublimes, em que os verdadeiros artistas fazem coisas que nem ao Diabo lembra, tiram coelhos da cartola, esgueiram-se pelo meio dos adversários como se fossem enguias, proporcionando momentos de puro prazer a quem a eles assiste.
- Há as picardias, o peito feito em direcção ao adversário, mandar umas bocas ("tás marcado, vou-te desfazer, vais passar a andar com a perna ao ombro").
- Há os erros dos juízes, que contribuem (e de que maneira!) para apimentar tudo isto.
- Há as multidões que vibram com tudo isto, promovendo autênticas catarses colectivas, empolando de uma forma incrível as emoções que chegam a ser avassaladoras durante um jogo como deve ser.


Porque é que o Benfica-Sporting de ontem foi fantástico?
Porque teve tudo isto. Sem tirar nem pôr.

2005-01-21

Os dois lados do casaco

A verdade é que ainda não sei o que hei-de fazer destas eleições.

Por um lado (o de dentro), o Santana Lopes descredibiliza tudo e qualquer coisa que algum governo do PSD por ele encabeçado tenha feito, faça ou possa vir a fazer. Mesmo que seja tomada uma boa medida, ele há-de arranjar forma de meter os pés pelas mãos, embrulhar tudo e deixar-nos a pensar que voltou a fazer asneira. O afã de nomeações durante o pouco tempo de governo também não ajuda nada, bem pelo contrário.
Por outro lado (o de fora), o Sócrates insiste em fazer floreados de modo a dar a entender que diz alguma coisa quando abre a boca. Mas a verdade é que raramente diz seja o que for. E quando se descai e, sem querer, deixa escapar alguma coisa pela boca fora, ficamos todos (nós e ele) a desejar que se tivesse deixado estar calado.

Alternativas a isto não existem. Temos mais alguns partidos mais ou menos representativos, mas que falam com o à vontade de quem nunca terá que prestar contas pelas coisas que diz, ao contrário do PS e do PSD que não se podem dar a esse luxo, como se viu pelo encarniçamento do Sócrates contra, por exemplo, o fim dos benefícios fiscais. Depois foi o que se viu.

O PP vive de uma aura de competência, ou pelo menos falta de incompetência, durante o tempo em que integrou o governo. Digo isto porque, quando comparado com as trapalhadas que o PSD gerou, eles saíram bem na fotografia. Falta saber se foi por competência deles ou incompetência dos outros.
CDU e BE? Credo, cruzes, canhoto! Antes a morte que tal sorte!!!!!


Posto isto, pondero votar pela primeira vez no PP. Ou votar em branco, como já me aconteceu antes...


PS - O PS e o PSD parecem-me, neste momento, com um daqueles casacos que se viram do avesso e se pode continuar a usá-los. Dá a impressão de ser outro casaco, mas na verdade é o mesmo.

2005-01-17

As três nulidades

Quase findo mais um fim de semana futebolístico (aquele que chega a estender-se por 5 dias), as três nulidades vão de braço dado no topo da tabela classificativa.

O Porto continua em pré-época, com a maioria dos jogadores a tentar aprender o nome dos colegas. O Sporting tem umas paragens cerebrais colectivas de quando em vez. O Benfica insiste em defender com afinco mesmo que esteja a jogar contra velhas incontinentes de 80 anos.

Vamos aplaudindo o Mantorras (que a sorte finalmente o proteja), o Manuel Fernandes, o Carlos Martins, o Quaresma e... pouco mais. Dos outros, vamo-nos rindo se forem adversários, e insultando se foram dos nossos. Nem os treinadores se escapam. Bem pelo contrário, aliás.

Vai ser campeão quem asneirar menos. Mas a competição da asneiras vai renhidíssima!

2005-01-14

Uma promessa

Lembro-de de ter lido, aqui há uns tempos, um texto qualquer sobre o Mayor de Nova Iorque (na altura Giuliani) e de como ele conseguiu uma grande vitória sobre o crime violento.

A explicação era, se bem lembro, um falta de tolerância em relação ao crime pequeno (estacionamentos, pequenas trangressões e coisas do género). Num clima de intransigência perante qualquer tipo de crime, parece que os nova iorquinos se habituaram a comportar-se mais civilizadamente e mais dificilmente passariam para actos mais graves e violentos.

Não sei se esta teoria está correcta, mas à partida parece-me que faz muito sentido.

Uma vez que estamos na época delas, gostaria muito que alguém fizesse essa promessa. A de combater intransigentemente todo o tipo de crime, colocando particular empenho nas pequenas transgressões. Estacionou em 2ª fila para ir comprar tabaco? Não tem desculpa, é multado. Passou o semáforo no vermelho, mesmo mesmo depois do amarelo? Multado sem apelo nem agravo. Fez abatimentos ao irs que não deveria ter feito? Baixa o pau nele! Ficou mais um dia de baixa do que aquele que deveria ter ficado? Punição. Meteu um atestado médico "comprado" para ter uma melhor colocação? Porrada nele e no médiso. Etc e tal e por aí fora...

Esta é a promessa que eu gostaria de ver ser feita. Esta é a promessa que eu gostaria que fosse cumprida.

Parece-me que só assim, num clima de exigência em todos os actos da nossa vida, é que poderemos ultrapassar o nacional-porreirismo que teima em fazer de nós o terceiro-mundo da Europa.

2005-01-11

Catástrofes

Ando a ler o livro Uma Breve História de Quase Tudo, de Bill Bryson. Trata-de de um escritor de livros de viagens com muito sentido de humor, e que resolveu meter ombros à tarefa de descrever a história das descobertas científicas de quase todas as áreas.

Documentou-se imensamente, visitou e entrevistou inúmeros cientistas, para poder fazer essa história simultaneamente correcta e interessante de lêr. Ao longo do livro, conta muitas curiosidades e histórias pitorescas sobre aqueles que fazem da ciência a sua vida.


Ao longo do livro, vamo-nos dando conta de inúmeras catástrofes que andam por aí à espera de acontecer, e que podem ter consequências impensáveis. Vulcões que podem explodir a qualquer momento (como o de Yellowstone, nos EUA, com um diâmetro de 65 kms que curiosamente costuma explodir de 600 mil em 600 mil anos, mais coisa menos coisa, e que já não o faz há 630 mil anos), os movimentos tectónicos, meteoritos que podem arrasar vastas extensões (como o que arrasou parte da Sibéria em 1908), a possibilidade de mudança de sentido de rotação do núcleo líquido da terra (que já aconteceu 200 vezes ao longo da história do nosso planeta, e que acarreta consequências desastrosas), etc, etc...
Sentimo-nos verdadeiramente pequenos, e somos devolvidos à nossa condição de contingências insignificantes, em termos planetários.


Entretanto, cá andamos nós. A discutir listas e penalties.

2005-01-10

Futebolêsmente falando...

...foi um fim de semana sem surpresas.

O Sporting jogou melhor que o Benfica, como se esperava. E tal como se espera, quem jogou melhor ganhou. O Liedson fez as fitas do costume, marcou os golos esperados.

Naturalmente, aconteceram também os casos de arbitragem, como toda a gente previa.
Na minha opinião, foram quase todos muito bem resolvidos pela equipa de arbitragem - a expulsão do Alcides pareceu-me muito forçada, mas o árbitro é humano e não é fácil distinguir "em tempo real" se o toque é suficiente para causar a queda do artista...

Eu tenho para mim que os árbitros se deveriam precaver contra este tipo de situações, ou seja, deveriam levar em conta o historial de simulações de cada jogador. E se um jogador como o Liedson (ou o João Pinto, ou outros do género) sofre falta, só se for flagrantíssima é que a falta deveria ser marcada. Porque estes tipos passam a vida a gozar com os árbitros, a fazê-los passar por incompetentes (ou pior) e como tal deveriam não deveriam ter a simpatia de quem é mais prejudicado por eles.


Já o meu Porto fez também o que se esperava. Depois de uma semana turbulenta, com os atrasos da escola de samba do Dragão e com o recambiamento de dois deles para outras paragens, a equipa entrou em campo em estado completo de doideira. O facto de o Fernandez ter retirado toda a gente do miolo do campo, espalhando a malta por toda a parte onde não se ganha o domínio do jogo, ajudou ao descalabro.

Na segunda parte o Porto lá se reencontrou, passou a ocupar minimamente essa zona do campo, e voltou aos festivais de golos falhados. Como já se vai esperando, de resto...

2005-01-08

O Palhaço do Ano

Não gosto de dar este tipo de distinções, até porque dependem apenas do alcance da memória no momento em que se faz a escolha.

No entanto, e apesar da forte concorrência de tanta gente (recordo apenas Luis Filipe Vieira a irromper pelos estúdios da SIC, Santana Lopes a meter os pés pelas mão 3 vezes por minuto, o grito pungente "é o sistema!" de Dias da Cunha, Luis Filipe Menezes de cada vez que abre a boca), para mim só existe uma escolha possível para Palhaço do Ano:


Jorge Sampaio - por vetar uma lei devido a motivos puramente políticos (central de comunicação); por dissolver uma assembleia com uma maioria estável devido a "motivos que toda a gente conhece e portanto não vou estar a enumerar"; e por, finalmente, vir dizer que se deve alterar o sistema eleitoral para facilitar a formação de maiorias absolutas (logo depois de ter acabado com uma).

Digamos que estes não são os momentos mais apalhaçados do ano. Mas dos outros protagonistas não se espera tanta responsabilidade como se espera de um Presidente da República.

2005-01-07

O dérbi lisboeta

Gostava de ver um grande jogo amanhã. Gostava, mas na verdade não estou a contar com isso.

Estou a contar com calculismo de parte a parte, com erros da equipa de arbitragem. Os erros de arbitragem são, aliás, uma constante do futebol. O que eu não percebo é como alguém ainda se consegue mostrar surpreendido pela existência de erros.

Conto também com os jogadores a dificultarem ao máximo o trabalho dos árbitros, através de simulações, agarrõezinhos, empurrões surreptícios, muitos protestos quando a decisão não é a seu favor... enfim, o costume.


Só mais um desabafo: eu adoro futebol, e este é um dos melhores momentos para quem adora futebol. Os clássicos são sempre emotivos e quando à emoção se junta um futebol bem jogado, então temos um grande espectáculo. E eu estou farto de ter que ver a Premiership para assistir a grandes espectáculos.